Brasil pode ser referência em jogos digitais

O Brasil caminha para se tornar referência no desenvolvimento de jogos educativos. O mercado de games e de conteúdo de audiovisual no país cresce rapidamente, ao mesmo tempo em que propostas de 10% do PIB e 75% dos royalties do pré-sal focam na educação. Para Erisvaldo Júnior, diretor executivo do Yupi Studios, investimentos públicos e privados em tecnologia também agregam esse status. O desenvolvedor, responsável pela Yupi Play, primeira rede de entretenimento educativo para dispositivos módeis do Brasil, realizou a palestra “Games Educativos: o Brasil na linha da frente”, na manhã desta sexta (25), durante a terceira edição da Campus Party Recife.

“Há investimento tanto na parte do Governo Federal, dos Governos Estaduais, quanto da iniciativa privada. Além que há muito estúdio e desenvolvedor independente trabalhando com jogos educativos no brasil e também muito conteúdo audiovisual, muita animação, desenho e até mesmo filmes com personagens para crianças. Juntando esses cenários, a perspectiva é que o Brasil se torne, se não a grande referência, uma das grandes em jogos educativos”, pontuou.

Embora o segmento seja rentável, é preciso ter cuidado quanto às ideias para educação. “A Yupi Play é desenvolvida pela Yupi Studios e ainda é uma empresa pequena. A gente vai querer crescer e expandir. Em algum momento vamos chegar nessa dicotomia: vamos privilegiar a expansão [do projeto] ou a qualidade? Nesse caso, vamos sempre tentar ir pela qualidade. Com certeza esse risco existe [perda da qualidade] e é algo que as startups têm de estar sempre atentas”, ressalta Erisvaldo Júnior.

Escolas e tecnologias
Embora o uso de gadgets tem sido cada vez mais frequente, o MEC já comprou mais de 600 mil tablets e investiu R$ 5 bilhões em tecnologia digital somente em São Paulo, Erisvaldo analisa que o Brasil ainda engatinha nessa integração. “É como se o país tivesse colocando os devices na escola, mas eles ainda não estão sendo utilizados da melhor forma. Alguns espaços estão presos àquela metodologia tradicional, à grade do MEC, etc”.

O uso dessas plataformas, segundo o diretor executivo do Yupi Studios, deve evoluir para que a criança possa aprender fora da sala de aula. “Ela possa aprender em casa e que tenha um conteúdo a parte [da matriz curricular], que o pai possa se integrar mais com o professor e que a parte digital seja uma linha tênue da parte acadêmica”, diz. Ele complementa que essa linha deve ficar cada vez mais tênue. “Ainda está muito incipiente. Hoje ainda está meio ‘ah, tenho o hardware lá, mas não é usado da melhor forma'”.

O modelo educacional também deve ser renovado. Se por um lado desenvolvedores trabalham com projetos educativos interessantes, alguns educadores ainda estão preso ao modelo tradicional. “É um processo contínuo [uso de novas tecnologias]. É preciso treinamento. O Governo Federal terá que puxar as rédeas e as escolas privadas terão que se adaptar rapidamente a isso. Assim chegaremos num ponto certo”, avaliou.

Yupi Play
A rede de entretenimento desenvolvida pela Yupi Studios reúne games e aplicativos infantis, conectando crianças aos pais, professores e desenolvedores. Segundo Erisvaldo, outros estúdios e desenvolvedores independentes poderão alimentar a loja com jogos e apps. “A proposta da Yupi Play é que os jogos têm estímulo de aprendizado e a plataforma dá um feedback geral do desempenho da criança, não apenas em um game, mas também no conjunto de jogos e aplicativos que faz parte do Yupi Play”.

Em fase beta, a plataforma irá disponibilizar até o fim do ano, apenas jogos da Yupi Studios. A expectativa é que ano que vem, novos estúdios e desenvolvedoras se associem a plataforma. “Estamos começando com três estúdios, mas serão apenas games próprios até o fim do ano. Até lá, já vamos ter o kit de desenvolvimento finalizado para chegarmos em 2015 com dezenas de estúdios e desenvolvedores independentes”, comentou.

Para os desenvolvedores e estúdios que queiram fazer parte da plataforma, basta acessar o site http://yupiplay.com/ e ir na seção Desenvolvedores.

Via FolhaPE.

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